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                    Carta em atendimento ao Edital FAPEAL/EDUFAL nº 01/2026

O presente documento registra a indicação, por parte do Programa de Pós-Graduação da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Ufal, de duas teses em atendimento ao EDITAL PARA
PUBLICAÇÃO DE TESES E DISSERTAÇÕES FAPEAL/EDUFAL N. 01/2016
Além de seguirem os critérios indicados na chamada 04/2026 do PPGAU, os trabalhos indicados
apresentam abordagem direta relativamente aos itens Inserção social e Visibilidade os quais
integram os critérios de avaliação do desempenho dos Programas de Pós-Graduação, como
sistematizado pela Plataforma Sucupira, além de seus resultados e discussões contribuírem com
clareza para o incremento e elaboração de Políticas Públicas que visem o bem estar integrado e
coletivo, como recomendado pela Fapeal às produções das pós-graduações.
Segue a indicação das teses:
A.
TÍTULO DA TESE: Cosmologias e ritualidades de uma natureza sacralizada:
semeando futuros a partir dos saberes das comunidades ayahuasqueiras do Brasil
Orientadora: MARIA ANGÉLICA DA SILVA
Autor: GIBSON MELO DE ALBUQUERQUE
Data de defesa: maio de 2025
“1. Originalidade do trabalho
A tese propõe uma abordagem pouco explorada no campo da Arquitetura e Urbanismo ao tomar
as comunidades ayahuasqueiras como objeto de investigação. Santo Daime, União do Vegetal e
Barquinha configuram-se como doutrinas religiosas surgidas na metade do século XX e que
reúnem elementos de matriz cristã, indígena e africana. São manifestações que, saindo da
floresta, atingiram expressiva notoriedade, difundindo o uso de ayahuasca em escala nacional e
internacional e se tornando, inclusive, um elemento de vigoroso potencial turístico para as
localidades que praticam seu uso, ao tempo que também se arrisca à sua deturpação.
Embora tenham ganhado destaque nas áreas da Antropologia, Sociologia e nos estudos da
religião, o uso das plantas sagradas raramente é analisado a partir de questões relacionadas ao
território, às formas de habitar, à organização espacial e às possíveis contribuições que possam
oferecer aos debates contemporâneos sobre cidades e meio ambiente. Nesse sentido, o
trabalho busca abrir um original espaço de diálogo entre campos disciplinares, documentando
essas comunidades não apenas como produtoras de cultura e histórias locais, mas também
como portadoras de modos de existência que suscitam reflexões sobre a crise ecológica e a
construção de formas mais integradas de convivência multiespécies.

Un iv er sid ad e Fed er al d e Alago as
Campus A.C. Simões - Cidade Universitária,
Maceió-AL, Brasil, CEP 57.072-970
Tel: (82) 3214.1309 E-mail: deha@fau.ufal.br
http://www.fau.ufal.br/posgraduacao/deha

Em um contexto marcado pelas críticas ao Antropoceno, pela intensificação dos conflitos
socioambientais e pela destruição crescente de biomas e modos de vida tradicionais, o estudo
apresenta referências que podem apontar caminhos de reflexão não apenas sob re a floresta,
mas também sobre cidade e sobre nossos próprios corpos, emergindo alternativas para uma
existência mais saudável e espiritualizada do mundo.

2. Relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social
A pesquisa contribui para a reflexão sobre desafios que ultrapassam fronteiras locais. Seu autor,
vindo do Acre, promove uma leitura inter-regional de uma temática que de fato, atravessa
muitas outras fronteiras. São crescentes os estudos sobre a importância das plantas para o
futuro do planeta tanto pelo que representam em termos de área ocupada e variedade de
espécies, mas também como modelo para estudos tecnológicos pautados na eficiência da
fotossíntese. Ao se colocarem como seres de imensa abrangência no planeta e como altamente
eficazes nos mecanismos de manutenção homeostática da vida, abrem novas superfícies de
diálogo com os produtores de cidades, pois se evidencia a urgência de se ampliar a presença
vegetal nas áreas urbanizadas do planeta como mecanismo de controle da crise socioambiental.
Portanto, se o Brasil, através da Amazônia, ganha destaque nestes estudos, há também de se
relevar os campos sociais e culturais, onde as plantas sagradas têm um lugar especial. Além de
suas propriedades usuais como fármacos, atendem os campos da ciência e da religiosidade, em
cruzamento cada vez mais demandado quando se trata de considerar a biodiversidade em
termos planetários. Trata-se de uma cooperação que tem sua vitalidade na vida comunitária
tradicional, mas que cada vez mais é incorporada para se pensar a construção de futuros
mundos possíveis.
Quando cresce o conhecimento de uma Amazônia como uma “floresta urbanizada”, novos
horizontes se ampliam os cruzamentos sobre passado e presente, em busca de um “futuro
ancestral”, convocado por Ailton Krenak. Por outro lado, a tese de Gibson Albuquerque, ao
documentar e analisar as práticas desenvolvidas em comunidades da floresta acreana, também
contempla Alagoas, considerando os tantos nordestinos que migraram para o Norte no ciclo da
borracha. Por outro lado, contribui para a crescente abertura do PPGAU/FAU/UFAL para as
temáticas da sustentabilidade, justiça socioambiental e preservação de territórios vinculados
aos povos ancestrais.

3. Robustez e/ou reprodutibilidade da metodologia e análise de dados utilizados na tese
A metodologia empregada vem sendo testada por mais de duas décadas pelo Grupo de Pesquisa
Estudos da Paisagem (https://www.instagram.com/estudosdapaisagem/). Baseia-se em um tipo
trabalho de campo calcado na sensibilidade do sujeito pesquisador que alcançou expressiva
legitimidade ao embasar pesquisa da FAU/UFAL que recebeu o Prêmio de Iniciação Científica do

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CNPq na categoria Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes em 2011.
No caso da tese em tela, o praticar da metodologia teve início desde o próprio deslocar do
pesquisador vindo do Acre e depois retornando a este estado em extensas jornadas pelas
comunidades situadas nas profundezas da floresta. O corpo do pesquisador se engajou nestas
aventuras pela floresta, o que lhe gerou um extenso conhecimento destas comunidades além
de amplo acervo de fotos inclusive geradas por drone.
As outras fontes usadas incluíram o acesso a produções acadêmicas, documentos históricos e
referenciais oriundos de matrizes não restritas às fontes escritas. Tal diversidade de fontes
possibilitou a construção de uma análise abrangente e fundamentada, capaz de articular
múltiplas perspectivas sobre o recorte temático estudado.
Quanto à reprodutibilidade do método usado na tese que, como se viu, tem forte base empírica,
ele foi sendo aprimorado através de várias teses e dissertações. Tem gerado inúmeros artigos
em periódicos, e foi tema de dois livros publicados pela EDUFAL com os títulos “Arquiteturas
costuradas: corpos, gestos e experimentos criativos”, lançado em 2023 e “Estudos da paisagem:
modos de operar”, em 2025. Estas publicações elencam um conjunto de experimentos
efetivamente realizados nos cursos de graduação e pós-graduação da FAU/UFAL. Nestas duas
publicações, constam artigos produzidos a partir da tese de Gibson, além de ter produzido artigo
em periódico indexado e cinco trabalhos completos publicados em anais.
É importante destacar que a tese também teve impacto na produção das duas edições de
congresso produzido pelo PPGAU FAU/UFAL, através do Grupo de Pesquisa Estudos da Paisagem
em 2021 e 2024, denominado Nós: Congresso Internacional Estudos da Paisagem. A primeira
edição tratou de Patrimônios em silêncio e a segunda teve como tema Arquitetura das águas:
entre urgências e travessias. Além do autor ter participado ativamente da concepção e
organização dos eventos, o seu tema de tese, ao abordar ancestralidade, patrimônio, memória,
natureza, inspirou um diálogo transversal com a temática dos dois congressos. Enquanto a
primeira edição tratou, sob influência de Ailton Krenak, dos processos de silenciamento e
apagamento da natureza, a segunda se voltou diretamente para as águas, trazendo para a cena
os rios amazônicos, inclusive através da participação da pesquisadora Ana Cláudia Duarte
Cardoso, da Universidade Federal do Pará, que foi membra externa da banca de avaliação do
trabalho.”

4. Qualidade da redação, estrutura/organização do texto
Escrita clara, fluente, argumentos bem fundamentados e com uma organização de capítulos
bastante didática, Gibson Albuquerque buscou construir um texto que, apesar de profundo,
fosse acessível ao público em geral, justamente para contribuir na socialização do
conhecimento.

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A tese é composta por quatro capítulos. O primeiro aborda ritualidades e cosmologias na
perspectiva de uma natureza sacralizada. Povos originários, comunidades tradicionais e
religiosas aparecem nesse momento, ligados também pelo uso ritual e ancestral de ayahuasca
e outras plantas da América do Sul. O segundo capítulo trata da degradação da floresta, em
outras palavras, daquilo que alguns chamariam de crimes, outros de desastres e outros de
desafios socioambientais do Brasil no século XXI que, em essência, são sinais de que estamos
seguindo um caminho que nos afasta das práticas comunitárias estabelecidas ao longo de
milhares de anos de história humana e das leis fundamentais da natureza. O terceiro capítulo
explora os caminhos para uma nova realidade possível nas cidades que sejam inspirados no
saber das comunidades onde se concentram grupos ayahuasqueiros. A última parte considerações finais – é o desfecho que apresenta uma síntese dos resultados obtidos. Ao lançar
mão de uma escrita clara e do recurso a imagens com grande potencial estético, o autor buscou
atrair leitores de vários perfis tentando assim, atenuar os preconceitos com relação a práticas
religiosas e cosmológicas que não se moldam totalmente ao modelo eurocêntrico e que,
portanto, acenam para uma visão mais inclusiva e horizontal com comunidades ditas
periféricas.”

B.
TÍTULO DA TESE: Os Hotéis e um Fragmento da Cidade: Produção e Consumo do Espaço em
Maceió-AL
Orientadora: Morgana Maria Pitta Duarte Cavalcante
Autora: Maria Elisa Moreira Alves
Data de defesa: maio de 2025
“1. Originalidade do trabalho:
A tese apresenta ineditismo ao preencher uma lacuna temática delineada no âmbito dos
diálogos entre arquitetura, cidade e turismo em Maceió-AL. Embora o processo de verticalização
e a dinâmica do turismo em Maceió já tenham sido explorados sob lentes geográficas,
arquitetônica, econômicas ou de planejamento urbano por outros pesquisadores, a
originalidade deste trabalho reside na interface direta entre as manifestações arquitetônicas
dos hotéis e a produção social do espaço urbano. Ao escolher o hotel como o principal objeto
físico e simbólico dessa transformação e centralizar o principal recorte empírico na beira-mar
do bairro da Pajuçara, a pesquisa consegue decodificar como a arquitetura atua como um
"instrumento" de city-marketing e consumo da paisagem. Além disso, a proposta de lançar um
olhar crítico sobre a transformação, privatização/espetacularização da orla (através das
fachadas e do design hoteleiro globalizado) confere ao trabalho uma abordagem inovadora para
o panorama da crítica arquitetônica local.

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2. Relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social:
O trabalho amadurece o debate teórico ao costurar autores clássicos da produção do espaço e da "cidademercadoria" (como Ana Fani A. Carlos, David Harvey, Carlos Vainer e Ermínia Maricato) com conceitos
específicos da arquitetura contextualista e da vitalidade urbana (como Jan Gehl, Jane Jacobs e Paulo
Mendes da Rocha/Maria Isabel Villac).

A tese assume uma postura crítica de extrema necessidade ao evidenciar as profundas
contradições socioespaciais de Maceió. Ela expõe o fenômeno da gentrificação e a criação de
uma "vitrine turística" higienizada na orla de Pajuçara (calcada no turismo de "sol e mar" e em
intervenções instagramáveis) em detrimento do abandono do tecido urbano interno do bairro
e das comunidades tradicionais de pescadores. Há ainda uma denúncia implícita do apagamento
da real identidade cultural imaterial da cidade (como o bordado Filé, o coco de roda e o
patrimônio lagunar) por uma estética cenográfica e globalizada.
A pesquisa possui relevância prática para o planejamento urbano, pois fornece subsídios e
diretrizes de desenho urbano que podem nortear a revisão de códigos de edificações locais e
planos diretores, defendendo a permeabilidade do solo e o uso misto nos pavimentos térreos
hoteleiros para mitigar a segregação espacial local.
3. Robustez e/ou reprodutibilidade da metodologia e análise de dados utilizados na tese
A metodologia proposta para a tese, caracteriza-se por um desenho de pesquisa misto
(qualitativo-quantitativo, empírico e histórico) bem amarrado. A autora detalha com clareza os
passos metodológicos: consulta exaustiva a acervos como o Arquivo Público de Alagoas (APA) e
a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial (SEDET), resgatando legislações antigas,
cartões-postais, revistas de turismo e documentos de representação gráfica das tipologias
analisadas; elaboração de mapas cronológicos precisos (décadas de 1970 a 2023), mapeamento
do zoneamento do bairro da Pajuçara, uso e ocupação do solo e a espacialização das
intervenções artísticas na orla de Maceió-AL e trabalho de campo com Aplicação de percursos
urbanos efetuados em períodos demarcados, o que confere precisão empírica aos dados.
A análise de dados é fundamentada nos critérios de interface edifício-cidade e nas relações de
transição público-privado. A descrição detalhada do método e a sistematização gráfica
permitem que a metodologia seja perfeitamente reproduzida para o estudo de outras cidades
litorâneas, ou mesmo aplicada em momentos futuros em Maceió-AL. Devido a tipologia
arquitetônica dos hotéis ser um tema pouco explorado nas pesquisas acadêmicas em MaceióAL, há diversas questões que ainda podem ser abordadas, as quais são sugeridas e orientadas
no próprio estudo.

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4. Qualidade da redação, estrutura/organização do texto
A estrutura de organização dos capítulos é fluida e respeita as convenções da escrita acadêmica.
A tese divide-se em 5 capítulos que realizam uma transição suave entre a fundamentação
teórica, a contextualização histórica macro de Maceió, as correlações com o mercado imobiliário
e, por fim, o estudo de caso micro e morfológico atual da Pajuçara, que apresenta a tese um
debate relevante e contemporâneo. Do ponto de vista formal e redacional, o texto é escrito em
linguagem clara e precisa. Os capítulos dialogam entre si de forma coerente. A tese é ricamente
ilustrada com vasta inserção de fotografias históricas, propagandas de época, mapas de
elaboração própria e plantas baixas arquitetônicas enriquece substancialmente a leitura,
tornando as análises morfológicas tangíveis e visuais. As citações são robustas, atuais e aplicadas
com precisão teórica, demonstrando domínio sobre o estado da arte do tema.”

Maceió, 11 de junho de 2026.

_______________________________________
Profa. Dra. Elisabeth de A. C. Duarte Gonçalves
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
Universidade Federal de Alagoas

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_________________________________________
Profa. Dra. Roseline Vanessa Santos Oliveira
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
Universidade Federal de Alagoas